PEQUIM
(Reuters) - A recuperação econômica da China desacelerou
inesperadamente nos três primeiros meses de 2013 com a fraqueza na
produção industrial e em gastos em investimentos forçando analistas a
dar início a reduções nas expectativas para a expansão no ano apesar da
insistência oficial de que o cenário é favorável.
A
segunda maior economia do mundo cresceu 7,7 por cento no primeiro
trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior, menos do
que os 7,9 por cento registrados no quarto trimestre de 2012 e abaixo da
expectativa em pesquisa da Reuters de expansão de 8,0 por cento. O
resultado ainda frustrou as expectativas de uma alta surpresa que
surgiram depois da publicação na semana passada de dados de crédito e
exportações.
"Esse
número pode muito bem explicar porque havia tanto suporte de liquidez
no primeiro trimestre", disse o chefe de pesquisas econômicas do ING em
Cingapura, Tim Condon.
"A
produção industrial foi inesperadamente fraca e essa foi a fonte de
fraqueza do PIB. Com base nisso, as expectativas para o PIB serão
reduzidas e com certeza vamos reavaliar a nossa", completou Condon.
Enquanto
isso, o RBS respondeu aos números reduzindo sua estimativa de
crescimento da China no ano a 7,8 por cento, ante 8,4 por cento antes
dos dados.
"Isso
se deve tanto ao impacto do início mais fraco de 2013 quanto ao fato de
os dados do primeiro trimestre mostrarem uma dinâmica de crescimento
trimestral mais lenta do que o esperado", escreveu Louis Kujis,
economista-chefe do RBS, em nota a clientes.
Sheng
Laiyun, porta-voz da Agência Nacional de Estatísticas, que divulgou o
PIB e uma série de outros dados nesta segunda-feira, disse em entrevista
à imprensa que as preocupações são infundadas.
"Os
fundamentos econômicos da China não mudaram. Estamos confiantes sobre o
crescimento futuro e otimistas em alcançar a meta de crescimento deste
ano", disse Sheng.
A
China determinou uma meta de crescimento do PIB de 7,5 por cento para
2013, nível que Pequim acredita ser capaz de criar empregos suficientes
ao mesmo tempo em que fornece espaço para reformas estruturais que o
governo -e conselheiros políticos internacionais- acreditam ser
necessárias para colocar o crescimento em um caminho mais sustentável.
"O
emprego está bastante estável", disse Sheng. "Emprego estável é um
indicador básico da estabilidade econômica da China", completou ele,
citando dados do Ministério do Trabalho e da Previdência Social
mostrando que a China criou mais de 3 milhões de novos empregos no
primeiro trimestre.
PRODUÇÃO INDUSTRIAL
O
crescimento de 8,9 por cento da produção industrial em março ante o ano
anterior, abaixo das expectativas de 10,0 por cento, pesaram sobre a
confiança dos investidores e sobre o PIB. Decepcionou também o
crescimento de 20,9 por cento dos investimentos em ativos fixos no
primeiro trimestre ante projeção do mercado de 21,3 por cento.
O
aumento mais fraco na geração de energia em seis meses --alta de 2,1
por cento em março ante o ano anterior-- e a queda de 3,2 por cento na
produção diária de aço bruto no mesmo período foram considerados como
sinais de esfriamento da atividade.
Esses
dados, divulgados junto com o PIB, ofuscaram a ligeira melhora do
crescimento das vendas no varejo para 12,6 por cento em março na
comparação anual, ante 12,3 por cento em fevereiro e expectativa de 12,5
por cento.
Mas o
rápido aumento de uma nova classe de consumidores na China é um fator
que mantém os investidores otimistas sobre o futuro da economia a longo
prazo, desde que autoridades possam reequilibrar os motores do
crescimento e se afastar dos gastos em investimentos e exportações,
fatores aos quais está inclinado.
O
consumo doméstico foi o principal motor do crescimento no primeiro
trimestre, garantindo 4,3 pontos percentuais do total de 7,7 por cento. A
formação de capital contribuiu com 2,3 pontos, enquanto as exportações
geraram 1,1 ponto percentual.
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Por REUTERS - Kevin Yao e Langi Chiang
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segunda-feira, 15 de abril de 2013
Crescimento da China no 1º tri decepciona e provoca revisões
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