quinta-feira, 11 de abril de 2013

O GNV anda esquecido

No início dos anos 2000, o Gás Natural Veicular (GNV) apareceu como promessa de um combustível automotivo altamente competitivo, com benefícios econômicos e ambientais.
A partir de então, o mercado de GNV experimentou um forte crescimento até atingir seu pico em 2007, quando o volume de conversões anuais foi de 272 mil veículos.
O aumento dos preços do gás natural no mercado doméstico e as incertezas a respeito do fornecimento de gás da Bolívia, juntamente com o incentivo à expansão da frota de veículos flex-fuel, reverteram o ciclo de expansão experimentado, reduzindo gradativamente até atingir apenas 24 mil conversões em 2012, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).
A queda no interesse pelo gás natural para veículos automotivos acontece justamente quando a demanda por combustíveis, como a gasolina e o diesel, apresentam elevadas taxas de crescimento.
Com a capacidade de refino doméstica sendo plenamente utilizada, o aumento da demanda tem se refletido em aumento da dependência externa, uma vez que a demanda adicional vem sendo suprida, majoritariamente, por importação.
O aumento da frota movida a gás natural poderia atuar no sentido de aliviar a pressão sobre o mercado de combustíveis.
Do ponto de vista do consumidor, a opção pelo GNV também é interessante, porque o preço do quilômetro (km) rodado com o uso do gás natural como combustível é mais barato do que a gasolina e o etanol. Para os preços atuais (fevereiro de 2013), tanto a gasolina quanto o etanol custam o dobro do GNV.
Com tamanha competitividade, o GNV é uma alternativa viável mesmo quando se considera o custo do kit de adaptação, cujo preço médio é de cerca de R$ 4.000,00. Para um consumidor que rode cerca de 5.000 km mensais, o payback do kit se dará em cerca de 6 meses.
O uso do GNV está relacionado ao desenvolvimento de novos mercados para o gás natural. Em muitos municípios, afastados da rede de distribuição, o mercado de gás natural tem se desenvolvido embrionariamente a partir do GNV.
Nesses casos, os postos de abastecimento recebem o gás natural por meio de carretas de gás comprimido.
O desenvolvimento do mercado anteriormente aos investimentos em linhas de distribuição reduz os riscos de investimento das empresas de distribuição, auxiliando no processo de interiorização da malha.
Além das questões econômicas, o uso do gás natural, majoritariamente composto de metano (CH4), como combustível automotor gera menores emissões de CO2, particulados, óxidos nitrosos e enxofre, principalmente quando comparado ao diesel e à gasolina.
Dadas as diversas vantagens proporcionadas pelo uso do GNV e o potencial de crescimento da oferta de gás, diante das reservas do pré-sal, dos campos de gás não associado e, até mesmo, da possibilidade de extração de gás não convencional em território brasileiro, é necessário o reposicionamento do GNV como combustível estratégico.

 
Fonte: Brasil Econômico

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