No
início dos anos 2000, o Gás Natural Veicular (GNV) apareceu como
promessa de um combustível automotivo altamente competitivo, com
benefícios econômicos e ambientais.
A
partir de então, o mercado de GNV experimentou um forte crescimento até
atingir seu pico em 2007, quando o volume de conversões anuais foi de
272 mil veículos.
O aumento dos preços do gás
natural no mercado doméstico e as incertezas a respeito do fornecimento
de gás da Bolívia, juntamente com o incentivo à expansão da frota de
veículos flex-fuel, reverteram o ciclo de expansão experimentado,
reduzindo gradativamente até atingir apenas 24 mil conversões em 2012,
de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras
de Gás Canalizado (Abegás).
A queda no
interesse pelo gás natural para veículos automotivos acontece justamente
quando a demanda por combustíveis, como a gasolina e o diesel,
apresentam elevadas taxas de crescimento.
Com
a capacidade de refino doméstica sendo plenamente utilizada, o aumento
da demanda tem se refletido em aumento da dependência externa, uma vez
que a demanda adicional vem sendo suprida, majoritariamente, por
importação.
O aumento da frota movida a gás natural poderia atuar no sentido de aliviar a pressão sobre o mercado de combustíveis.
Do
ponto de vista do consumidor, a opção pelo GNV também é interessante,
porque o preço do quilômetro (km) rodado com o uso do gás natural como
combustível é mais barato do que a gasolina e o etanol. Para os preços
atuais (fevereiro de 2013), tanto a gasolina quanto o etanol custam o
dobro do GNV.
Com tamanha competitividade, o
GNV é uma alternativa viável mesmo quando se considera o custo do kit de
adaptação, cujo preço médio é de cerca de R$ 4.000,00. Para um
consumidor que rode cerca de 5.000 km mensais, o payback do kit se dará
em cerca de 6 meses.
O uso do GNV está
relacionado ao desenvolvimento de novos mercados para o gás natural. Em
muitos municípios, afastados da rede de distribuição, o mercado de gás
natural tem se desenvolvido embrionariamente a partir do GNV.
Nesses casos, os postos de abastecimento recebem o gás natural por meio de carretas de gás comprimido.
O
desenvolvimento do mercado anteriormente aos investimentos em linhas de
distribuição reduz os riscos de investimento das empresas de
distribuição, auxiliando no processo de interiorização da malha.
Além
das questões econômicas, o uso do gás natural, majoritariamente
composto de metano (CH4), como combustível automotor gera menores
emissões de CO2, particulados, óxidos nitrosos e enxofre, principalmente
quando comparado ao diesel e à gasolina.
Dadas
as diversas vantagens proporcionadas pelo uso do GNV e o potencial de
crescimento da oferta de gás, diante das reservas do pré-sal, dos campos
de gás não associado e, até mesmo, da possibilidade de extração de gás
não convencional em território brasileiro, é necessário o
reposicionamento do GNV como combustível estratégico.
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Fonte: Brasil Econômico
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
O GNV anda esquecido
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