quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Petrobrás bate recorde de refino de petróleo

Foram processados 2,111 milhões de barris em um dia diminuindo a necessidade de importação de derivados

A produção de derivados do petróleo e gás natural parece estar próxima de seu limite  nas refinarias brasileiras, sendo que qualquer aumento de demanda deverá levar o País a importar combustível. Um reflexo disso é o esforço da Petrobras em aumentar a produção local por meio de melhorias operacionais, já que essas unidades de processamento estão próximas de sua capacidade nominal.
A estatal informou que alcançou no dia 7 de junho o seu maior nível de produção nas refinarias, com o processamento de 2.029.021 barris, quase o mesmo volume que a empresa extrai de seus poços.
O recorde anterior é de julho de 2010, com o processamento de 2.020.200 barris/dia de petróleo. Segundo a petroleira nacional, essa nova marca foi obtida por meio de melhorias nas plantas que buscam “a máxima eficiência operacional, aproveitando-se todas as oportunidades para aumentar a carga processada, dentro dos limites dos equipamentos e sistemas das refinarias”.
Apesar do viés positivo que a noticia tem para o País, essa busca por melhoria expõe uma deficiência estrutural que só mudará quando as novas unidades que estão em construção e fazem parte do Plano de Negócios da empresa saírem do papel.
O projeto mais adiantado é o da primeira refinaria brasileira após cerca de 30 anos de paralisia no setor, a de Abreu e Lima (PE), que deveria entrar em operação ainda este ano com 230 mil barris de óleo processados, porém a unidade tem sofrido com diversas greves. Além disso, há o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) que terá capacidade de processar 165 mil barris ao dia na etapa que a Petrobras chama de 1º. Trem. A partir de então, os planos da empresa colocam uma carga adicional de 300 mil barris apenas em 2016 com a refinaria Premium I no Ceará e um ano depois mais 300 mil barris de capacidade com a refinaria no Maranhão, e segue com o segundo trem do Comperj (165 mil barris em 2018) e termina com o segundo trem da refinaria Premium I em 2019.  Para essa área de atuação da empresa, de acordo com o Plano de Negócios que está em vigência, a empresa destinará cerca de US$ 35 bilhões, porém, esse valor será até 2015 apenas, ou seja, deverá se elevar ainda mais.
Esse investimento adicional vem na esteira do crescimento da produção brasileira de hidrocarbonetos e da meta da empresa de elevar a produção de petróleo e gas de cerca de 2 milhões de barris ao dia para 6 milhões até 2020.
Segundo os mais recentes dados publicados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de petróleo no Brasil em abril foi de 2,022 milhões de barris/dia (bbl/d), apresentando redução de 1,5 % em relação ao mesmo mês de 2011. Na comparação com o março, a queda foi de 3,2%. A produção de gás natural foi de aproximadamente 65 milhões de metros cúbicos/dia. Houve aumento de 4,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, e queda de 1,4% em relação ao mês anterior. Desse volume, a Petrobras respondeu por 94,3% da produção de petróleo e gás natural. Os campos marítimos foram responsáveis por 91,2% da produção de petróleo e 75,8% da produção de gás natural.
Preços
Apesar de a Petrobras, que controla todas as refinarias brasileiras, estar próxima da capacidade nominal de produção, os preços praticados pela empresa são item básico que o governo federal utiliza como forma de controle da inflação. Com isso, de acordo com levantamento da ANP, os valores dos combustíveis praticados no País apresentaram relativa estabilidade.
De acordo com a agência reguladora, o preço médio ao consumidor do diesel variou pouco, entre R$ 2,043 e R$ 2,047 em 7,5 mil postos pesquisados. Porém, o valor máximo se manteve sem variação em R$ 2,79, enquanto o mínimo ficou entre R$ 1,749 e R$ 1,789. Nesse mesmo período, os preços na distribuidora ficaram entre o mínimo de R$ 1,418 e R$ 2,361. Vale lembrar que o Brasil não tem capacidade instalada suficiente para produzir o combustível, que tem que ser importado.
Outro produto importante que sai das refinarias, a gasolina, apresentou o mesmo comportamento nas últimas quatro semanas. O preço médio ficou em R$ 2,741 e R$ 2,735, resultado da variação mínima de R$ 2,199 para todas as semanas e máxima de R$ 3,69 a R$ 3,719. A base de postos pesquisados foi de 8.680. Nas distribuidoras, relatou a ANP os valores mínimos de R$ 2 a R$ 2,01 e máximos de R$ 2,847 a R$ 2,92, este registrado na semana passada.
Para efeitos de comparação, o etanol, cuja produção independe das refinarias mas está intimamente ligado ao preço do açúcar no mercado internacional, ficou, em média, ao consumidor final entre R$ 1,95 e R$ 1,964

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