A Iveco espera fechar este ano a venda de 14 veículos blindados
Guarani para a Argentina. O interesse na compra foi confirmado na
terça-feira, durante visita do ministro da defesa argentino, Arturo
Puricelli, à Laad, feira de equipamentos de defesa que acontece no Rio. A
venda deve somar cerca de R$ 40 milhões.
A primeira venda internacional do Guarani é o pilar de um plano maior
da Iveco no setor de defesa. A empresa planeja instalar no Brasil uma
estrutura de montagem capaz de fabricar diversos veículos de combate
destinados ao mercado mundial.
"A ideia é criar aqui não uma unidade de produção do Guarani, mas uma
Iveco Veículos de Defesa América Latina capaz de produzir no Brasil uma
gama bastante ampla de veículos a serem vendidos a todos os países do
mundo", afirma ao Valor o diretor-geral da divisão de Veículos de Defesa da Iveco Latin America, Paolo Del Noce.
A companhia italiana estuda produzir no país o caminhão com tração
6x6 Trakker AT380T e o jipe LMV, com tração 4x4 e 195 cavalos de
potência. Para a fabricação, seriam necessárias adaptações na linha de
produção de Sete Lagoas, cujo custo não foi divulgado. A linha de
produção do blindado Guarani será concluída em maio, ao custo de R$ 55
milhões.
A Iveco está apresentando o modelo Trakker AT380T e o jipe LMV aos exércitos da região para atrair ofertas de compra.
"Se conseguirmos fechar um acordo com um desses exércitos nós
começamos a produzir aqui os outros dois veículos", diz Del Noce. "Há
muito interesse, muitos pedidos, mas ainda não apresentamos orçamentos".
O LMV é campeão de vendas na Europa e utilizado por onze exércitos,
entre Reino Unido, Itália e Rússia. Versões do veículo foram vendidas
para os britânicos por valores entre 150 mil e 225 mil libras.
A venda do blindado Guarani para os argentinos é negociada desde o
ano passado. Para formalizar o pedido de compra pelas 14 unidades, a
Argentina espera apenas a certificação do veículo pelo exército
brasileiro, o que deve acontecer no segundo semestre deste ano.
"A Argentina está confirmada, o ministro da defesa argentino
confirmou que a Argentina quer 14 carros e só está esperando a adoção
definitiva do veículo aqui no Brasil", diz Del Noce.
Atualmente, a Iveco Defesa mantém um contrato de R$ 240,6 milhões com
o exército brasileiro para a entrega de 86 unidades do Guarani até
junho de 2014, além da encomenda de um lote piloto de 16 unidades. Do
total, apenas quatro carros foram entregues até agora. Eles são usados
nos testes para certificação que abre as portas para as vendas
internacionais.
Del Noce diz que as forças armadas do Chile, Senegal e Angola têm
interesse em adquirir o Guarani. Ele afirma ainda que o tipo de veículo,
um 6x6 anfíbio, tem grandes possibilidades no mercado do Oriente Médio.
"O interesse no exterior está se expandindo, se concretizando", diz o
executivo sobre a procura internacional pelo Guarani. "Este veículo só
vai ser fabricado no Brasil, não tem outro blindado 6x6 anfíbio na gama
da Iveco. Se amanhã qualquer país do mundo pedir um 6x6 anfíbio, nós
vamos oferecer o Guarani."
A produção com conteúdo local é prioridade do projeto. O Guarani já
superou a meta de 60% de conteúdo nacional, previsto no contrato com o
Exército. Mas até o fim de 2014, a empresa busca fornecedores locais
para os demais componentes importados. Atualmente, a empresa negocia com
a Usiminas o fornecimento das chapas de aço balístico que revestem o
carro, hoje importadas da Itália. "A ideia da Iveco é que, se tiver a
possibilidade de localizar algo, nós vamos fazer", afirmou o executivo.
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