A liberação de cargas nos
aeroportos brasileiros andou a passos curtos no ano passado. A
constatação é fruto da nota técnica “Brasil mais competitivo: ganhos com
o funcionamento 24 horas dos órgãos anuentes nos aeroportos”, elaborada
pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em
média, o tempo entre o recebimento e a entrega das cargas nos aeroportos
de Guarulhos (SP), Campinas (SP), Galeão/Tom Jobim (RJ), Porto Alegre e
Manaus (AM) alcançou 175 horas e 1 minuto, o equivalente a um pouco
mais de uma semana. No ano passado, foram movimentados US$ 50 bilhões em
cargas no setor aéreo brasileiro.
A grande pedra no caminho dos
aeroportos, que impede maior eficiência na liberação dos produtos e
afeta negativamente a competitividade do País é, segundo a Firjan, o
fato de os órgãos responsáveis pela fiscalização das cargas atuarem
apenas em dias úteis e em horário comercial. O especialista em
competitividade industrial e investimentos do sistema Firjan, Riley
Rodrigues, afirma que o funcionamento contínuo nas estruturas, como
ocorre em outros mercados, é essencial para otimizar as operações.
“O principal ponto é os órgãos não
trabalharem de maneira ininterrupta”, diz Rodrigues. O especialista
destaca que, no caso da Receita Federal, que trabalha das 8h às 17h, com
uma hora de almoço, ou da Polícia Federal, que em Guarulhos atua das 9h
às 17h com duas horas de almoço, o trabalho é de apenas seis horas.
“Isso tem um impacto muito grande na competitividade e no custo da
manutenção de cargas”, acrescenta.
A situação brasileira fica mais evidente
quando comparada às práticas de outros países. O mesmo processo de
liberação que chega a levar 217 horas e 30 minutos (em torno de 10 dias)
no aeroporto do Galeão ou 176 horas (oito dias) no aeroporto Salgado
Filho, em Porto Alegre, é executado em apenas quatro horas no aeroporto
chinês de Shanghai. Em Memphis, nos Estados Unidos, o tempo entre
recebimento e entrega de mercadorias é de seis horas, enquanto em
Heathrow, na Inglaterra (considerado o mais lento entre os aeroportos
internacionais pesquisados), todo o procedimento demora oito horas.
Esse tempo a mais observado nos
aeroportos brasileiros demandam custos, que são sentidos,
principalmente, pelos consumidores. Como exemplo, a pesquisa leva em
conta uma carga de medicamentos movimentada em 2012 no aeroporto do
Galeão, que registrou tempo de 18 dias corridos para ser liberada. “Os
custos de armazenagem e movimentação, considerando o valor da carga de
R$ 35 milhões, atingiram R$ 287 mil. Se a carga fosse movimentada no
aeroporto de Heathrow, onde o tempo médio de liberação é de oito horas,
este custo seria de R$ 17,8 mil”, diz a nota técnica.
A Firjan sinaliza que a legislação
brasileira já prevê dispositivos para o funcionamento 24 horas dos
aeroportos. “O que precisamos hoje é que se cumpram as disposições já
previstas no arcabouço legal, algo que não precisa de uma nova lei, mas
pode ser feito simplesmente cumprindo as que já existem, o impacto seria
imediato”, defende Rodrigues.
Fonte: ABTC
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